stark major
28.9.05

tempo previsto de leitura ©: os cento e vinte minutos desta sala de cinema.



























(a urgência do tédio. arfamos. há palavras no ecrã. «I still love you» legendado como «ainda gosto de ti».)



























(a legenda correcta seria: «lambo a tua orelha como um cão roendo um osso».)



























(we were never lost in translation.)

27.9.05

«This is what I meant when I said to you just now that I 'knew'. I've known perfectly that you knew I took trouble for you; and that knowledge has been for me, and I seemed to see it was for you, as if there was something - I don't know what to call it! - between us. I mean something unusual and good - something not a bit horrid or vulgar.»

{ Henry James (2002 [1898]) In the Cage. London: Hesperus Press, 60. }




on my way to the steeple



on my way to the steeple



on my way to the steeple

26.9.05


quem disse que a actividade deste blog se encontra apenas online?

22.9.05

(rascunhado num caderno de estuque durante uma vigília nocturna)

o sol não girava, não. em caso de dúvida ou esquecimento, apontara no caderninho de notas esse evento de suma importância: «a era dos milagres terminou em mil novecentos e dezassete». com o advento da lâmpada eléctrica, deveria ter acrescentado. esse lapso tornava-se agora claro, tão claro como a parede branca do quarto - nunca ocupada, sempre ocupado - ao perceber que aí entrara - quem? não sabia. mas entrara alguém, em passada lenta de melodrama, que agora o perscrutava, a si mesmo e à sua sombra. estacara à entrada do quarto, com o olhar hesitando entre ele e a figura pregada à parede, e dissera em tom sibilino:

- donde tardaste tanto, que a este caminho vim a olhos longos por vós? *

(quem? ele próprio? a quem? não à sombra. entrara alguém.)

não se ouviram uivos de assombro, os ahs! prostrados da multidão de crentes. não porque a era dos milagres tivesse terminado em mil novecentos e dezassete, mas porque a lâmpada eléctrica, atenta à cena e na ausência da azinheira, se esquecera de girar.




* palavras de Arima a Avalor (in Menina e Moça ou Saudades de Bernardim Ribeiro).

19.9.05

a epígrafe primordial
Мне отмщение, и Аз воздам


nuno's status #4
if the rain has to separate
from itself
does it say «pick out your cloud»

{ «Your Cloud» (2002) Tori Amos }

18.9.05

página arrancada da agenda: sábado, 17 de setembro de 2005
[08:57] no montijo, a embarcar para lisboa, com o computador portátil e mantimentos para um dia de estudo em casa da s.

[09:12] leitura atenta do público (depois de ter deitado ao lixo, à entrada do barco, a XIS). que pontaria: logo à noite, na :2, Anna Karenina com a Greta Garbo. damn it: a s. não tem televisão.

[09:23] chegada à capital rumo à universidade. «sim, pode parar mais à frente, não tem importância.»

[10:10] no magnólia do campo pequeno: cappucino e queque de amêndoa. na leitura do dn, descubro que agustina, lobo antunes e houellebecq se preparam para lançar novos romances na rentrée literária.

[10:34] s. sentada à porta de casa. bagagem em casa, pés ao caminho.

[10:52] paragem na barata. livros a rodos. saudades e compra de the economist.

[11:03] sentados no magnólia do cinema londres («este empregado não estava no campo pequeno?»). information overload enquanto passo os olhos pela revista. «será que a culturgest tem net gratuita hoje? queria ir postar umas coisas no blog e enviar um mail ao j.» «no way, jose. só durante a semana.»

[11:32] s. e eu de volta a casa. estudo acompanhado. escrita de tese. close reading do poema «Modern Craft» de Hart Crane, as I bang my head against the walls.

[13:30] almoço. recordação de um jantar há mais de dois anos, na batalha. «sabes, isto é pouco. muito pouco.» respeito o meu regime alimentar.

[14:00] nova ronda de estudo. s. deitada na cama com flannery o'connor (i. e., o volume de correspondência) e eu sentado à secretária em modo /escrita. «perturbado, não. ele [um amigo comum] é mesmo chato. perturbado é um epíteto que reservo às pessoas que são interessantes - e ele não me interessaria ainda que viesse acompanhado da rainha de sabá.»

[17:10] lanche. a manteiga flora magra usada pela s. é intragável e obriga-me a desperdiçar metade do pão-de-leite. ao café: «vamos ao cinema?» entre ciclo de cinema lgbt, um outro no ávila, as propostas da cinemateca e o novo do wes craven, eu ganho.

[17:35] sentados no magnólia do saldanha residence, reparo que consegui o pleno de ir a todos os estabelecimentos magnólia da capital (ou esqueci-me de algum?). os fósforos são cortesia da casa. fumo o primeiro cigarro da semana - davidoff truly sucks, s.

[18:32] Red Eye, de Wes Craven. «as fate would have it, my business is all about you.»

[19:40] «mãe, podes gravar-me a Anna Karenina mais logo, às 23:00?»

[20:10] em casa da s. mesmo em frente, já se notam as primeiras movimentações à porta do passerelle. nova ronda de estudo. dêem-me dois tiros nas pernas, por favor.

[21:40] resolvo telefonar à c. e informá-la do filme de logo à noite. «se não acabaste de ler a Anna K. é melhor não o veres. e não, a versão da isabelle adjani não vale um chavo - exceptuando, claro, o senhor que faz de Vronsky.» a c. está prestes a ir jantar com o l. a um restaurante na ribeira de gaia. abraços ao l. e prometo emprestar-lhes a gravação. our lives depend on you, dearest mom!

[22:30] arroz de marisco ao som da RCP, depois de peripécias diversas. à terceira transmissão da música «Copacabana» do Barry Manilow (At the Copa (CO!) Copacabana / the hottest spot north of Havana (here) / at the Copa (CO!) Copacabana / Music and passion were always the fashion / At the Copa... they fell in love!), ameaça de indigestão. a piedosa s. desliga o rádio e acaba com a carnificina auditiva.

[00:41] off to bed. certifico-me que as janelas e estores se encontram bem fechados; as luzes psicadélicas à entrada do passerelle (incidindo directamente sobre a janela do quarto) tiram o sono de qualquer um. penso na Anna K. em Moscovo. fecho os olhos. daí a nada, estou eu em São Petersburgo.


ontem, às 18:00

estreou na passada quinta-feira um filme que irá passar despercebido nas salas nacionais. e é pena - porque o regresso de Wes Craven é (quase) sempre um acontecimento. este Red Eye é, mais do que um thriller competente e muito eficaz, uma das boas surpresas de 2005. ainda que a intriga apresente diversas falhas (algumas exigem mais do que a mera suspension of disbelief), estes oitenta minutos de película são tão intensos que nem sequer nos é dado tempo para respirar. ou seja: dêem-me um par de actores hiper-talentosos, um argumento brilhante - e inteligentíssimo na forma como modula os medos da insegurança e do terrorismo pós-9/11 - e uma mão-cheia de citações e paródias à la Wes Craven e fico de barriguinha cheia. e pregado à cadeira do cinema, que foi o que me aconteceu durante dois dos três actos que estruturam o filme.

(e assim se interrompeu um dia dedicado ao estudo. oh boy. oh boy indeed.)

14.9.05

the $64,000 question
que farei quando nada arde?

13.9.05

{ Emil Opffer }

Hart Crane to Waldo Frank
April 21, 1924
For many days, now, I have gone about quite dumb with something for which "happiness" must be too mild a term. At any rate, my aptitude for communication, such as it is!, has been limited to one person alone [Emil Opffer], and perhaps for the first time in my life (and, I can only think that it is for the last, so far is my imagination from the conception of anything more profound and lovely than this love). I have wanted to write you more than once, but it will take many letters to let you know what I mean (for myself, at least) when I say that I have seen the Word made Flesh. I mean nothing less, and I know now that there is such a thing as indestructibility. In the deepest sense, where flesh became transformed through intensity of response to counter-response, where sex was beaten out, where a purity of joy was reached that included tears. It's true, Waldo, that so much more than my frustrations and multitude of humiliations has been answered in this reality and promise that I feel that whatever event the future holds in justified beforehand. And I have been able to give freedom and life which was acknowledged in the ecstasy of walking hand in hand across the most beautiful bridge of the world, the cables enclosing us and pulling us upward in such a dance as I have never walked and never can walk with another. [...].

{ citado por John Unterecker (1969) Voyager: A Life of Hart Crane. New York: Liveright, 355. }

11.9.05

«Se eu pudesse medir as saudades em electricidade, seriam nove mil milhões de volts.»

{ confissão de uma criança orfã de pai (vítima do massacre de beslan), ouvida esta manhã num documentário televisivo e anotada na página dez do meu moleskine. }


oitava declinação
d. praticava a religião dos amores impossíveis. por cada rapaz que atravessava a sua vida construía um futuro a prazo - e aí depositava os seus afectos e carências sofregamente e de uma só vez. se, de início, as taxas de juro pareciam baixas, a verdade é que nunca via o retorno e d. acabava por hipotecar sempre uma parte da sua sanidade mental. seguiam-se a depressão, os estados de alma em modo montanha-russa, uma espécie de afastamento que dizia «benéfico» (para quem?) e o regresso ao nosso mundo. daí a uns meses, um novo ídolo a adorar, uma nova conversão, um novo amor impossível. ad aeternum.

sei-o porque mo contaram, com detalhes sórdidos dos deuses adorados por d. e das suas falências afectivas. mas só o conheci anos mais tarde, num encontro de amigos. na altura era já um apóstolo das impressões duradouras. d. tinha uma capacidade espantosa de se agarrar a instantes que duravam uma eternidade e de os deitar ao lixo quando esse absoluto se tinha esgotado. era capaz de encontrar o graal numa lata vazia, helena de tróia (páris?) numa stripper, ainda que tal acto o obrigasse a conduzir a sua vida amorosa em permanente sobressalto. assim vivia, de instante em instante, de princípio em princípio. mas meios, nem vê-los. d. tornara-se num agnóstico à procura da fé perdida.

d. telefonou-me esta madrugada. pernoitava numa pensão em évora, depois de uma reunião de trabalho se ter prolongado noite dentro. resolvera ligar-me quando, depois de tentar enxotar a insónia do quarto, continuava a rever em loop uma troca de olhares que havia tido, nessa tarde, ao atravessar a praça do giraldo.

de tão ensonado, não me recordo de toda a conversa, nem sequer dos detalhes do fósforo que d. resolvera acender desta vez. (era este o nome que dávamos aos instantes do d.: fósforos. na secreta esperança que se transformasse, um dia, num pirómano.) mas gravei com precisão o seu sorriso (como se o visse, do outro lado da linha, a cento e cinquenta quilómetros de distância) e uma frase lapidar:

- sei que não é o início de nada. é apenas o início do início.

(perdão. o «apenas» foi da minha lavra. d. nunca o pronunciou.)

e desligou.

10.9.05

Havia muito que Julie [Karáguin] esperava o pedido de casamento do seu adorador melancólico e estava pronta a aceitá-lo. Porém, da parte de Boris, um secreto sentimento de repulsa por ela, pelo seu desejo ávido de se casar, pelos seus modos artificiais, e também o pavor que o dominava por prescindir da possibilidade de um verdadeiro amor, ainda o faziam hesitar. O seu tempo de férias expirava. Passava o dia, de manhã à noite, em casa dos Karáguin, e todos os dias, depois de pensar muito, dizia a si mesmo que no dia seguinte faria o pedido de casamento. No entanto, ao pé de Julie, olhando-lhe para a cara vermelhusca e para o queixo quase sempre coberto de pó-de-arroz, para os olhos húmidos e para aquela sua expressão permanente de quem está pronta a passar imediatamente da melancolia para o enleio pouco natural da felicidade nupcial, Boris não conseguia pronunciar a palavra decisiva, apesar de já se considerar há muito tempo proprietário das herdades de Penza e de Níjni Nóvgorod [dote de Julie] e se imaginar a gerir os rendimentos que elas davam. Julie via a hesitação de Boris e chegava a passar-lhe pela cabeça que ele lhe tinha repugnância; mas logo a vaidade feminina lhe sugeria uma consolação: Boris estava tímido precisamente porque a amava. A sua melancolia, porém, começava a transformar-se em irritação e, pouco antes do dia da partida de Boris, Julie pôs em execução um plano decisivo. Na altura em que as férias de Boris chegavam ao fim, apareceu em Moscovo e, obviamente, em casa dos Karáguin, o jovem Anatole Kuráguin; Julie, esquecendo subitamente a melancolia, tornou-se muito animada e atenciosa para com Kuráguin.

[...].

A ideia de ter ficado com cara de parvo e de ter perdido em vão todo aquele mês de serviço melancólico junto de Julie, e também a ideia de ver passar para as mãos de outro - sobretudo para as mãos do imbecil do Anatole - todos os rendimentos das herdades de Penza que na sua imaginação já estavam distribuídos e já eram utilizados, ofendia Boris. Foi a casa dos Karáguin com o firme propósito de fazer o pedido de casamento. Julie recebeu-o com um ar alegre e despreocupado, contando-lhe como se divertira no baile da véspera e perguntando-lhe quando partia. Apesar de Boris estar ali com a intenção de falar do seu amor e, por isso, achar que devia ser meigo, pôs-se a dissertar, irritadamente, sobre a inconstância feminina: que as mulheres passam com facilidade da tristeza à alegria e que os seus estados de humor dependem tão-só do tipo de homem que as está a galantear. Julie sentiu-se ofendida e replicou que era verdade que a mulher precisava de variar, que qualquer uma se aborrecia quando era sempre a mesma coisa.

- Para isso, poderia aconselhar-lhe... - começou Boris, com o desejo de a alfinetar, mas, no mesmo instante, veio-lhe à cabeça a insultuosa ideia de que se arrisca a partir de Moscovo sem ter conseguido o seu objectivo, perdendo em vão o seu tempo e esforços (o que nunca lhe acontecera antes). Interrompeu-se a meio do seu discurso, baixou os olhos para não ver a cara desagradavelmente irritada e expectante de Julie, e disse: - Não foi para me zangar consigo que vim aqui. Pelo contrário... - Olhou para ela, verificando se podia continuar. Toda a irritação de Julie desapareceu num instante, e os seus olhos inquietos e suplicantes, numa expectativa ávida, cravaram-se nele. «Posso sempre arranjar maneira de a ver o menos possível - pensou Boris. - Já que comecei, tenho de levar isto até ao fim!» Sentiu-se a corar, ergueu os olhos para ela e disse: - A menina conhece os meus sentimentos por si! - Não era preciso dizer mais: o rosto de Julie já irradiava triunfo e vaidade; porém, obrigou Boris a dizer-lhe tudo o que se diz nestes casos, a dizer-lhe que a amava e que nunca tinha amado ninguém mais do que ela. Julie sabia que, pelas herdades de Penza e pelas florestas de Níjni Nóvgorod tinha o direito de lho exigir, e recebeu o que exigia.


{ Lev Tolstói (2005) Guerra e Paz. Livro II. trad. Nina Guerra e Filipe Guerra. Lisboa: Editorial Presença, 361-363. }

8.9.05

post ambulante #4
[caneta Pilot BPS - GP B (azul) sobre mão do nuno. questão que caiu aos trambolhões no quarto do autor quando deitado, montijo: 21:17 do dia 08 de setembro de 2005. os ponteiros do relógio no silêncio, uma memória fortíssima (porque inventada) a correr nas veias. «sit down, take a deep breath, look sideways. this is high street, bencraft road, any track you want. the answer is 'I do not know.'»]

7.9.05

in the mood

notem onde recai o acento tónico: not «in love», but «in the mood for».
e assim se constrói toda a diferença no mundo.

5.9.05

uma questão de orientação
hesitei muito antes da publicação do post anterior. pelos comentários em off que tenho recebido, os frequentadores desta chafarica nem sempre atentam ao lado profundamente paródico de quase tudo - ou tudo - o que escrevo por aqui.

(a paródia pode ser triste. a paródia pode ser trágica.)

ainda assim, jamais imaginei que este post causasse tanta celeuma entre os meus leitores. admito que essa hipótese me ocorreu, mas nunca que o motivo fosse (e aqui engulo em seco) a minha orientação política. foi ao longo do dia de hoje que percebi como o coming out político pode ser tão traumático como o coming out sexual. daqui aos meus exercícios de efabulação foi um saltinho. imaginei então que, num universo paralelo a este, o meu duplo (a que chamaremos, por conveniência do post, «dinis») poderá ter sofrido na pele um processo similar ao do autor deste blog, ainda que por motivações radicalmente diferentes.

(é fascinante como a sexualidade pode estar tão próxima da política.)

dada a actual tecnologia ao nosso dispor (we're waiting for you, mr hawking), não nos foi possível averiguar da veracidade desta efabulação. contudo, resolvemos deixar aqui registada uma breve reconstrução do evento, certos de que estará próxima do trauma vivido por esse nosso duplo desconhecido.

(para que possa proceder à comparação dos dois processos, mantivemos o coming out sexual hipoteticamente vivido pelo autor deste blog, sob a forma rasurada.)

dinis entra na sala. os pais sentados no sofá, olhando o vazio. na mesa ao centro, um conjunto de exemplares da g magazine spectator.

mãe. (indignada) queres explicar-nos isto?

dinis. (engolindo em seco) tentei dizer-vos. acreditem.

pai. (um pouco nervoso e exaltado) falar-nos do quê? da pouca-vergonha?

dinis. (sentando-se no sofá da sala) ... a razão pela qual nunca me viram com namoradas bloquistas.

mãe. (voz lacrimejante) sê claro. di-lo de uma vez.

dinis. (já emocionado) não é fácil. tentei deixar-vos algumas pistas. deixei de limpar o histórico do computador, esperando que chegassem ao sítio do bel ami acidental. mas acho que fizeram sempre de conta, sem nunca perceberem as minhas pistas. porque acham que eu brincava com bonecas soldadinhos americanos quando era criança?

mãe. sempre acreditei que isso pudesse ser uma fase. que um bom psicólogo o teu avô comunista pudesse alterar as coisas...

dinis. (levantando-se do sofá) quais coisas, mãe? não percebes. (silêncio sepulcral) não percebes mesmo. (novo silêncio, mais pesado) sou gay de direita.

o pai baixa o olhar, a mãe encosta a face aos ombros do marido.

pai. (sem nunca olhar para o filho) e o que virá a seguir? tu no trumps s. luís a assistir a espectáculos de travestis às noites à direita? o meu filho vestido com plumas e lantejoulas fatos gucci e prada, apelidado de débora vanessa sir dinis, a entoar gloria gaynor poesia do facho do eliot? livra-te de te ver nesses preparos. filho meu não frequenta locais debochados aristocráticos. vais ao consultório do teu psicólogo para casa do teu avô e hás-de gostar de mulheres marx e engels.

dinis começa a caminhar em direcção à porta de saída, em passo sôfrego. pára subitamente. vira-se e diz:

dinis. vou dormir a casa do meu namorado companheiro de partido, na buraca lapa. espero que reconsideres essas palavras. quando o fizeres, estarei aqui.

dinis sai de cena. mãe e pai abraçam-se, em estado de choque.

disclaimer: a situação supradescrita não corresponde, no todo ou em parte, a qualquer experiência vivida pelo autor do presente blog. qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.

4.9.05

classificados «stark major» {ou a fartura dos drafts}
versão 1.0, pré-comentários (04.09.2005, 22:15)
bloguista temperamental, amante das belles lettres e tendencialmente de direita procura cavalheiro honesto, educado e culto para partilhar henry james, agustina, cumplicidades, tolstoy, cama, adrienne rich, fluidos, t. s. eliot, cinema italiano (sobretudo fellini e pasolini), clássicos norte-americanos e krzysztof kieslowski - não necessariamente por esta ordem. dá-se preferência a cavalheiros versados nos movimentos artísticos da primeira metade do século xx e cépticos relativamente a esse unicórnio apelidado de pós-modernidade. resposta para o n.º 492 deste blog.

versão 2.0, pós-comentários (06.09.2005, 08:03)
bloquista* temperamental, amante das letras e tendencialmente de esquerda procura camarada honesto, educado e culto para partilhar alves redol, josé saramago, cumplicidades, jorge amado, cama, ary dos santos, fluidos, manuel tiago, cinema italiano (sobretudo vittorio de sica), realismo soviético e sergei eisenstein - não necessariamente por esta ordem. dá-se preferência a camaradas versados no movimento neo-realista e na literatura de intervenção; deverá ainda ter disponibilidade total para me acompanhar, uma vez por ano, à quinta da atalaia, no seixal. resposta para o n.º 492 deste blog.

* agradecimento ao um amigo pop pela sugestão (involuntária).


a irmandade do deslizo
depois de muita apreensão (num dia a abarrotar de encontros, uma silenciosa ida ao cinema e uma passagem fulminante pela fnac), passou a correr o jantar deslizo.05. foi a noite do information overload: conhecer gente nova às toneladas (p., b., j., g., j., j., f., t., a., d., j., m. e, last but definitely not the least, o p.) e tentar não parecer anti-social (um vírus do qual padeço muito ultimamente). resultado: uma noite positivamente surpreendente.

(e agora conheço o tom e os trejeitos de voz de algumas das pessoas que leio, o que irá alterar significativamente a relação que mantenho com os respectivos blogs. ah, pois vai.)

adenda número um. feita a dedicatória de viva voz. do corpo da escrita à escrita do corpo vai a distância de um pulinho, meu caro.

adenda número dois. as t-shirts do deslizo, da autoria deste artista português, ficaram muito - muito! - giras.

adenda número três. mental note: não me deitar às seis da manhã e levantar-me quatro horas depois.

adenda número quatro. e obrigado pela boleia, p. da próxima vez deito-me à uma, como fazem os meninos bem-comportados.

2.9.05


60.
There was an Old Man of the South,
Who had an immederate mouth;
But in swallowing a dish,
That was quite full of fish,
He was choked, that Old Man of the South.

{ Edward Lear (1846) A Book of Nonsense }